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11 de julho de 2019, 10:58

Alunos com dificuldades e pais não alfabetizados aprendem juntos em escola da rede

Possibilidade de aprendizado entre pais e filhos, mudam realidades na Zona Rural

 

Aos 42 anos de idade, Dona Maria Iraildes Noronha, moradora da Zona Rural de Mata de São João, não esconde o desejo de aprender ler e escrever. Ela relembra a infância difícil ao se ver, aos nove anos, na necessidade de ajudar sua mãe, solteira, na criação dos outros cinco irmãos. Com essa realidade, a oportunidade de estudo deu lugar ao trabalho no campo e os anos foram passando. Agora, ela pensa em um destino diferente para sua filha Maisa (09), estudante da Escola Municipal Arnaldo de Souza Prado – no JK. A menina tem dificuldade de aprendizado e um projeto que inclui a família na sala de aula para melhorar o aprendizado dos alunos, faz com que Dona Maria também consiga vencer as duras lembranças da infância.

Maria Iraildes, moradora da Zona Rural escrevendo o seu nome.

“Vim incentivar minha filha e já estou aprendendo fazer meu nome”, comemorou a dona de casa. Ela reconheceu também que o seu exemplo de vida é determinante para que a filha enxergue muito além do que está ao seu alcance. “Quero que minha filha estude e tenha uma vida muito diferente da minha”, completou.

Ação obtém resultados positivos e incentiva a educação entre pais e filhos.

O projeto acontece duas vezes por semana e consegue reunir diversas famílias em três momentos: aprendizagem de letras e alfabetização; grupo de letramento e reforço de leitura. Trabalho que Juci Nunes, orientadora, avalia como divisor de águas no processo de aprendizagem de alunos com dificuldades. “Temos observado que as crianças que são acompanhadas pelos pais em sala, aprendem junto com eles, melhoraram muito o rendimento nas atividades e o próprio comportamento”, disse.

Isis Andrade Silva, psicopedagoga e supervisora da escola, diz que a unidade percebeu durante as aulas que muitos alunos não não conseguiam acompanhar os colegas nas turmas e diversos fatores contribuíam para essa condição, inclusive familiares. Com a presença da família, muita coisa mudou. “Temos a leitura por prazer, a ludicidade, a brincadeira e, sobretudo, a participação da família que é efetiva. Temos visto bons resultados e pais que não eram alfabetizados, através do incentivos dos filhos, aprendendo”.

O projeto apoiado pela Secretaria de Educação já conseguiu alcançar um nível de efetividade rendendo bons resultados com o letramento, a base de oralidade e o processo de aprendizagem tem sido muito significativo com a participação da família.